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26.08.2011

Fundação Luís Figo foi capa da revista Human - Agosto 2011

Para alavancar a felicidade
 

Colocar a força e a capacidade de mobilização de massas do futebol ao serviço das crianças e dos jovens mais necessitados. Foi com este objectivo que Luís Figo criou e deu o nome a uma fundação – a Fundação Luís Figo – que procura «alavancar a felicidade» daqueles que são o futuro, ajudando-os a ter melhores condições de vida, para dela poderem usufruir em pleno.

Constituída em Março de 2003, a Fundação Luís Figo é uma instituição de direito privado, com autonomia financeira e sem fins lucrativos, criada pelo futebolista de reconhecido mérito a nível mundial Luís Figo. É o próprio quem a ela preside, sendo que a direcção-geral está a cargo de Sara Souto, que esclarece que «a fundação tem vindo a orientar esforços, energias e recursos para projectos e actividades dedicados às crianças e aos jovens mais desfavorecidos, que possuem doenças graves ou que se encontram em risco de exclusão social, actuando no sentido de criar oportunidades que lhes permitam a afirmação de uma cidadania que ninguém lhes pode negar. Presta apoio a todos os níveis, social ou económico, tentando sempre ter a melhoria da qualidade de vida destas crianças e desses jovens como prioridade, apesar de em alguns casos se tratar, infelizmente, de assegurar pura e simplesmente a sua sobrevivência», partilha.
A actuação da Fundação Luís Figo centra-se em quatro eixos: saúde, educação, desporto e esperança. «Na área da saúde – explica Sara Souto – actuamos com outras entidades, apoiando a Operação Nariz Vermelho, que leva alegria às crianças hospitalizadas, visitando cerca de 30 mil crianças por ano. Fizemo-lo primeiro com a adopção de um dos doutores palhaços e, mais recentemente, garantimos que todas as crianças internadas no Hospital Amadora Sintra serão visitadas por estes profissionais.
» Estão também a apoiar o projecto «A postos para a escola», desenvolvido pela Entrajuda e que consiste na realização de rastreios oftálmicos, auditivos e dentários às crianças em idade pré-escolar, em instituições de solidariedade social na área da Grande Lisboa.
Ainda este ano, vão também criar oportunidades para crianças com dificuldades sensoriais e motoras terem o acompanhamento de que necessitam, com a ajuda dos profissionais da Equipa Móvel deDesenvolvimento Infantil e Intervenção Precoce, que garantem a terapia necessária a estas crianças, quer em casa, quer na escola. E desde 2007 que integram a rede de parceiros que constituem a Stop TB Partnership na luta contra a tuberculose, tendo Luís Figo sido convidado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para ser «Embaixador da Luta contra a Tuberculose». Contribuem ainda para as campanhas de sensibilização da Associação Portuguesa contra a Leucemia.
No que respeita à educação, Sara Souto destaca o projecto a que se estão a dedicar actualmente e que está a ser desenvolvido em conjunto com o Ministério da Educação. «Visa apoiar o ‘Programa TEIP’ [Territórios Educativos de Intervenção Prioritária] e surge da necessidade de promoção do sucesso, prevenção do abandono e melhoria do clima escolar, para crianças e jovens em risco de exclusãoescolar e/ ou social. A fundação implementou o seu projecto-piloto na Escola da Bela Vista, em Setúbal, com grande impacto em termos de resultados, e esperamos alargar a outras escolas esta participação», revela.
A Fundação Luís Figo associou-se também ao Alto Comissariado da Saúde, para apoiar a Associação para a Promoção da Segurança Infantil (AP SI) na sua campanha de prevenção de afogamentos infantis, «contribuindo activamente para a sensibilização tão necessária para que as mortes infantis por afogamento sejam cada vez menos uma realidade », sublinha a directora-geral. «Fizemo-lo porque este ano, e pela primeira vez, esta campanha integra crianças com necessidades especiais, alertando para a necessidade de redobrar a vigilância nestes casos.»
No eixo do desporto, realizou-se em Junho passado a oitava edição do jogo AllStars. Foi em Viena, a convite do FK Áustria, que comemora o seu centenário e quis, juntamente com a Fundação Luís Figo, juntar estrelas do futebol, actuais e já retiradas, neste jogo de solidariedade. Sara Souto faz notar «a importância que este jogo tem vindo a assumir ao longo de todas as suas edições, pois as receitas têm sido usadas para implementar os mais diversos projectos». Com os fundos gerados – exemplifica –, «já apoiámos a Unicef, a Fundação Laureus e a Casa Ronald McDonald, ajudámos na construção da Casa das Cores, uma casa de acolhimento para crianças desfavorecidas do Movimento ao Serviço da Vida, e estamos actualmente a contribuir para a construção do primeiro Centro de Acolhimento Temporário para crianças refugiadas, um projecto do Conselho Português para os Refugiados».

> Dar esperança

Falta referir o eixo esperança, que engloba muitos projectos, nomeadamente a Campanha Nacional de Oferta de Presentes, que a Fundação Luís Figo realiza anualmente, desde a sua criação, no Natal e
no Dia da Criança. Este ano prevê distribuir um total de cerca de cinco mil brinquedos por hospitais, instituições e escolas situadas em zonas carenciadas, de norte a sul do país. «Tentamos tornar mágicas estas duas épocas, convidando crianças de diversas instituições a passarem um dia com o Luís Figo», conta Sara Souto. «Já o fizemos no Jardim Zoológico de Lisboa, na KidZania, no Zoomarine e nos circos de Natal que temos organizado anualmente.
É muito gratificante ver a felicidade estampada no rosto de uma criança, por vezes momentos únicos de felicidade, mas são pontuais e não melhoram o seu futuro; melhoram aquele momento específico
das suas vidas, o que obviamente também é bom, só que não chega», ressalva. «Mas queremos que sejam dias diferentes e cheios de alegria.»
Também neste âmbito, a fundação vai, pelo segundo ano, promover campos de férias inclusivos juntamente com o Banco de Informação de Pais para Pais (BIPP ), apoiando as crianças com necessidades especiais, portadoras de deficiência e/ ou carenciadas, permitindo-lhes frequentá-los a custo zero. O objectivo é desenvolver actividades que promovam a inclusão de todas as crianças em contextos regulares.
Outra iniciativa é o «Projecto para Uma Vida Melhor », destinado a dar apoio individual e melhorar as condições de vida de crianças e jovens que, por motivo de doença ou outras limitações, têm a sua
vida condicionada. Ofereceram, por exemplo, uma cama eléctrica a um rapaz de 10 anos com paralisia por espinha bífida e uma cadeira de rodas a uma adolescente paraplégica que vive num contexto socioeconómico difícil.
Sara Souto destaca ainda o apadrinhamento de três crianças órfãs, integrado numa missão da associação Um Pequeno Gesto. «Garantimos que recebem alimentação, educação, vestuário e as condições de higiene e saúde mínimas, e também um tecto, ao construirmos uma habitação equipada com o que necessitam para terem uma vida digna, em Moçambique», partilha. «É com imensa emoção que recebemos cartas, fotografias e até a visita em Lisboa do padre que as acompanha.»
Apesar de sublinhar que é essencial trabalhar todas estas áreas de actuação, a directora-geral da Fundação Luís Figo afirma sem hesitar que onde há maior necessidade de intervenção é na saúde e na
educação. «É essencial e básico garantir as condições mínimas para que as crianças possam viver com dignidade. Depois, há que dar-lhes as ferramentas, através da educação, para que possam elas
próprias, no futuro, garantir a sua sobrevivência.
Sempre ouvi os meus pais dizerem que o importante não é dar o peixe, mas sim ensinar a pescar, e é isso que tento que se faça na fundação», sublinha.

> Uma referência para os jovens
 
Obviamente que para que tudo isto seja possível é preciso dinheiro. Sara Souto recorda que, no arranque da Fundação Luís Figo, foram essenciais os apoios dos seus mecenas, a Coca-Cola, o BPN e a Galp. Mas actualmente já não têm parceiros permanentes. «Para cada projecto e cada iniciativa, a fundação procura os parceiros adequados para a sua implementação», diz, revelando que o jogo AllStars é a iniciativa que permite a maior angariação anual de fundos. «A força que o futebol solidário tem enquanto meio de mobilização, sensibilização e comunicação é enorme, em virtude da grande notoriedade que assume, principalmente pela mediatização que acontece em torno deste espectáculo desportivo em que os ídolos do futebol marcam golos pela solidariedade.» Acrescenta ainda que o
Luís Figo contribui não só com o seu envolvimento pessoal, mas também financeiramente.
Por outro lado, «todos reconhecemos ao Luís o seu espírito vencedor, o carácter e o carisma», enaltece. «Essa dimensão, aliada à notoriedade e à fama que o mundo do futebol proporciona, permitem
que a sua presença seja ‘per si’ uma referência para os jovens que têm que lutar para poderem ir mais longe, à semelhança do que o próprio Luís tem feito ao longo da sua vida.» Reconhece que o facto de a fundação ter o nome de uma grande figura na sua própria designação pode abrir portas, mas ressalva que também dá a Luís Figo uma responsabilidade acrescida.
«O que o Luís quis ao criar a sua fundação foi ter um meio para alavancar a felicidade de muitas crianças e jovens que, às vezes, apenas precisam de um apoio e de uma mão amiga», realça a directora-geral.
«Enquanto figura pública com possibilidade de ajudar, é óbvio que não pode olhar com indiferença para algumas injustiças que sente que devem ser combatidas, tentando desta forma dar o seu contributo.
A sua notoriedade e sua credibilidade como um símbolo de Portugal ajudam a que olhem para ele e o oiçam, tornando mais fácil a divulgação da nossa missão.»
Não obstante, Sara Souto admite que a difícil conjuntura económico-financeira que o país atravessa se traduz numa retracção nos apoios que recebem. «A crise não permite às empresas afectarem verbas para apoiar acções de solidariedade social com a mesma disponibilidade com que o faziam no passado, pois por vezes é a sua própria sustentabilidade financeira
que tem que ser assegurada. Estamos todos num compasso de espera. Por outro lado – continua –, as consequências da crise na vida das famílias sensibilizam os gestores das empresas, tornando-os mais atentos a esta realidade, pois a população carenciada, num momento de crise, mais carenciada fica e, em algumas situações, os apoios não podem ser negados. Nós esforçamo-nos por angariar fundos, para os encaminhar para quem deles mais necessita.
E, por vezes, com pouco pode fazer-se muito por quem nada, ou quase nada, tem.»
A Fundação Luís Figo, nas palavras da sua directora-geral, «é grande em termos de actuação e muito pequena em termos dos actuantes», ou seja, da estrutura organizacional. «Esforçamo-nos por ser
não só eficientes mas também eficazes no planeamento, na organização e no controlo dos projectos desenvolvidos e a desenvolver pela fundação», faznotar. «Procuramos parceiros que nos auxiliem no
desenvolvimento e na implementação desses projectos e gerimos os recursos humanos e financeiros, internos e externos, apoiando actualmente projectos nacionais e também além fronteiras.»

> Comunhão de objectivos

Em termos de estrutura, a fundação tem um Conselho de Administração, presidido por Luís Figo e composto por Madalena Torres, Alberto da Ponte, Carlos Queiroz e Pedro Tavares. Existe ainda um
Conselho Fiscal, mas toda a gestão diária operacional é assegurada por uma Direcção onde trabalham apenas duas pessoas. «No entanto, em algumas iniciativas, temos contado com a ajuda de jovens
voluntários, que têm sido fundamentais para tornar possível toda a logística necessária, por exemplo no Dia da Criança e nos circos de Natal, para receber as crianças e as instituições, encaminhá-las e oferecer-lhes pequenas lembranças.»
Sara Souto surge na direcção-geral da Fundação Luís Figo através do convite de um dos actuais administradores.
«A missão da fundação e os objectivos a que se propõe cruzam-se com o facto de eu gostar de fazer algo pelos outros, herança que recebi dos meus pais, e com o facto de ter disponibilidade para o fazer e por acreditar que é possível ajudar quem precisa», partilha. «A comunhão destes objectivos e a forma como encaramos a vida é, sem dúvida, aquilo que une todos os que colaboram com a fundação. Foi o desafio certo na altura certa.» Licenciada em «Gestão de Empresas» e mestre em «Marketing Estratégico», foi precisamente na área de ‘marketing’ que iniciou a sua carreira. Mas porque
sentiu que os seus filhos precisavam de «uma mãe mais presente», dedicou-se à docência, na vertente de publicidade, comunicação e ‘marketing’.
Ao longo destes anos, nunca deixou de colaborar em projectos empresariais ligados à gestão, ao marketing’ e à comunicação, até ter aceite o desafio da Fundação Luís Figo, em Maio de 2008. E é neste projecto que está agora totalmente empenhada, movida pela vontade de ajudar as crianças e os jovens que mais precisam.
 





> Pelo direito a um futuro melhor

Como lhe surgiu a ideia de criar a Fundação Luís Figo e com que objectivos o fez?

A ideia nasceu há oito anos, altura em que eu estava em plena actividade profissional, com a grande exposição
mediática que isso me trouxe. Foi quando pensei em aliar e aproveitar essa minha mediatização para contribuir
para melhorar as condições de vida dos mais jovens, aproveitando o facto de a figura de um jogador de futebol
profissional ser vista como um exemplo para muitos. A constituição da minha fundação, em Março de 2003, foi
o concretizar dessa consciência de responsabilidade social e cidadania, levando à prática este projecto que tem
como objectivo o apoio a crianças e jovens desfavorecidos ou com necessidades especiais.

O que levou à escolha das crianças como centro da vossa intervenção?

A nossa escolha recaiu sobre as crianças e os jovens, porque são o futuro. Por muitos se encontrarem em risco de exclusão social ou privados do seu pleno direito à vida, por motivo de doenças graves ou por situações socioeconómicas desfavorecidas, é a eles que a nossa intervenção se dirige. É com o objectivo de os ajudar a ter melhores condições de vida, maior integração social e melhores bases para poderem ser homens e mulheres mais fortes e felizes que temos vindo a desenvolver o nosso trabalho.

O que mudou entre o miúdo que Luís Figo foi até ao que as crianças agora são?

A sociedade mudou muito nestes últimos anos e as tecnologias fizeram alterar os hábitos dos mais jovens. Na minha infância e na adolescência brincava-se e jogava-se muito à bola na rua; julgo que hoje a realidade é outra. Em muitos casos, os jogos são virtuais, mas isso não quer dizer que eles não tenham o mesmo gosto e o mesmo interesse pelo futebol e pelo desporto em geral. Mas todos sabemos que a conjuntura actual não é fácil e que por isso, se por um lado se criou um mundo cheio de coisas novas e de novas oportunidades, por outro há dificuldades e obstáculos acrescidos. Educar, formar e orientar as crianças e os jovens de hoje não é tarefa fácil, cabe a cada um de nós, e aos que têm na sociedade um maior peso, pela sua exposição mediática, colaborar e ajudar para que todos, e particularmente os mais desfavorecidos, tenham direito a um futuro melhor.

Como vê o seu papel junto destes jovens?

Os atletas profissionais são vistos muitas vezes como um exemplo para muitos jovens e o futebol é sem dúvida um mobilizador universal de massas. Por isso, no meu caso concreto, a constituição da fundação foi tentar levar à prática essa consciência de responsabilidade social acrescida, procurando assim contribuir para a melhoria das condições de vida dos que mais precisam.

Não estando em Portugal, calculo que não consiga acompanhar tão de perto como gostaria as actividadesda fundação. Como faz essa gestão?

Apesar da distância física, pois vivo em Madrid, hoje as tecnologias permitem acompanhar todos os assuntos bem de perto. Assim, mesmo não estando fisicamente, estou disponível e ao corrente de tudo o que se passa. E a gestão diária e operacional, ‘in loco’, é feita por uma equipa da minha confiança.


 

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